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IDADE RADIOISOTÓPICA, PARTE II:
Gênesis e Tempo:
O que a Datação Radiométrica nos Diz*

C. L. Webster, Jr.
Geoscience Research Institute

Tradução: Urias Echterhoff Takatohi

Geoscience Reports 21:1-6 (Fall 1996).
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        Ao ouvir as estimativas da idade da Terra que vão de 6.000 a mais de quatro bilhões de anos, você pode ter se perguntado, "Que diferença faz o que creio sobre a idade da Terra? Que importa de fato a quanto tempo a vida tem estado aqui?" Colocado de forma simples, suas crenças sobre estes assuntos se refletem em sua percepção sobre a confiabilidade da Bíblia. Também faz uma importante diferença em como você interpreta as hipóteses oferecidas pela ciência e a informação apresentada na Bíblia.
        Como cristão crentes na Bíblia, aceitamos como fato que Deus criou a Terra. Como seres inteligentes, buscamos entender a criação de Deus usando as ferramentas analíticas oferecidas pela ciência humana. A datação radiométrica está entre os métodos mais utilizados para calcular a idade de nosso planeta. Os métodos são baseados na análise da radioatividade na matéria. O que a datação radiométrica pode nos dizer sobre a idade da Terra e do Sistema Solar? Quais são as implicações para nossa interpretação do relato bíblico da criação?

Relógio de Rocha de Rube Goldberg (você ajusta o sino de alarme pela escolha de uma meia vida apropriada da rocha marcadora de tempo).

Uma Breve História

        O estudo do decaimento radioativo (a decomposição natural e espontânea dos átomos) tem cerca de um século. Em 1896, o físico francês Henri Becquerel relatou à Academia de Ciências de Paris a radioatividade no urânio. Pouco depois em 1904, Lord Ernest Rutherford reconheceu o potencial do uso do decaimento radioativo para determinar a passagem do tempo. Dois anos mais tarde, Rutherford e Soddy calcularam em 550 milhões de anos a idade de uma amostra de urânio encontrada no estado de Connecticut, USA.
        A datação radiométrica não foi completamente explorada até depois da Segunda Guerra Mundial. O famoso livro Radiocarbon Dating (Datação por Radiocarbono) de W.J. Libby's foi publicado a pouco mais de 30 anos atrás. Portanto, como uma área relativamente nova da ciência, a datação radiométrica ainda apresenta muitas questões não respondidas.

Definições

        A fim de discutir as questões colocadas no início deste artigo, é necessário que nossos leitores tenham pelo menos um conhecimento superficial sobre o processo do decaimento radioativo. Em resumo, a datação radiométrica procura estabelecer a idade de uma amostra com base nas razões entre isótopos pai e filho e as taxas constantes de decaimento do isótopo radioativo presente. Isótopos de um elemento são átomos cujo núcleo tem o mesmo número de prótons mas número diferente de nêutrons (ver diagrama). Os núcleos atômicos de isótopos radioativos são instáveis. Em sua transformação para uma configuração mais estável, os núcleos emitem partículas subatômicas e excesso de energia. Este processo é conhecido como decaimento ou desintegração. À medida que o decaimento ocorre, o material “projenitor” (por exemplo, urânio) é tranformado em descendentes ou produtos “filho” (por exemplo tório, etc.) Este processo continua até que um produto filho estável é obtido (no caso do urânio, este é o chumbo).
        O tempo necessário para que metade do material original desintegre é conhecido como “meia vida” do isótopo. Estas meias vidas variam de menos de 0,000000001 segundos até valores extremamente grandes (mais de um bilhão de anos). Para um dado isótopo radioativo, atribui-se uma idade infinita após a passagem de 7 a 10 meias vidas, porque após este ponto é estatisticamente impossível detectar com precisão a presença do isótopo pai. Um objeto que é infinitamente velho com respeito a todos isótopos não iria exibir nenhuma radioatividade, pois todos isótopos radioativos teriam se desintegrado completamente até seus produdos filho estáveis. Embora a datação radiométrica seja amplamente usada e aceita, está longe de ser livre de problemas.

Isótopos do Hidrogênio

Técnicas Diversas

        Uma variedade de técnicas radiométricas são usadas (por exemplo, potássio-argônio, rubídio-estrôncio, etc.) para medir as razões pai/filho de diversos elementos encontrados em uma amostra. Esta variedade de técnicas permite aos cientistas interpretarem o tempo aproximado nos quais uma amostra experimentou os principais eventos tais como a formação de seus elementos (nucleogênesis), solidificação, aquecimento, refusão, choque, mistura com outros minerais, exposição à água ou a radiação de alta energia.
        Os cientistas que fazem mais do que uma medida da idade radiométrica em uma dada amostra não se surpreendem quando as idades resultantes discordam. Esta discordância implica que a amostra estudada pode ter experimentado mais do que um evento que altera sua idade. Estes eventos afetaram diferentes isótopos na amostra em de formas diferentes. A discordância pode prover indicações úteis na cronologia de eventos que a amostra experimentou.
        Em muitos casos técnicas quimicamente e fisicamente independentes concordam. Estes dados concordantes não podem ser facilmente explicados e freqüentemente apontam para eventos fisicamente significativos. A concordância observada entre várias determinações de idade radiométrica para a consolidação teórica de nosso Sistema Solar é um destes eventos. Entretanto, antes de estabelecer a idade de nosso Sistema Solar, é crucial notar que concordância de datas radiométricas não implica diretamente na concordância entre a idade radiométrica e o tempo real.

Zerando os Relógios

        É importante compreender que o clima acadêmico no qual as técnicas de datação radiométricas foram desenvolvidas era um no qual são feitos os pressupostos de longos tempos para o desenvolvimento das formas de vida por meio da evolução. Este pressuposto promoveu a busca de idades que apoiassem esta hipótese.
        Esta corrente de pensamento também produziu um pressuposto questionável: de que “relógios” radiométricos na matéria são zerados quando a matéria é movida devido a atividade ígnea (por exemplo, derrame de lava) em vez de reter toda ou parte da “informação de idade” durante seu transporte.
        No processo de fossilização (quando o material de uma forma orgânica, tal como uma planta, é substituída por material mineral) a hipótese de zeramento sugere que a idade radiométrica do material mineral no fóssil é também o tempo real mínimo do fóssil. O apoio não qualificado de tal aplicação da hipótese de zeramento pode ser descrita como “um engano do cemitério.” É semelhante a uma pessoa tentando calcular a idade de um cadáver enterrado verificando a idade da camada de solo acima e abaixo do caixão ao invés de ler a inscrição na pedra tumular. Não devemos caracterizar qualquer pessoa que usa a hipótese do zeramento como dando apoio ao “engano do cemitério” mas em vez disto devemos ver em tais exemplos como um conceito importante pode ser passado por alto. Podemos afirmar simplesmente que, a idade radiométrica dos componentes minerais da terra em uma área de cemitério não corresponde necessariamente à idade dos ocupantes da área!
        Enquanto várias evidências apoiam a hipótese de zeramento de vários sistemas de cronômetros radiométricos durante a formação ígnea ou metamorfismo dos minerais, a literatura científica também autentica a herança de características de idades radiométricas previamente estabelecidas durante fenômenos metamórficos e de transporte ígneo. Em algumas situações, características de idade medidas independentemente, sobreviveram a eventos vulcânicos. Estas características de idade podem apresentar desde sobrevivência total até nenhuma sobrevivência. (Alguns exemplos foram dados em "Radioisotope Age: Part I," Geoscience Reports No. 20, Spring 1996.)
        O impacto de processos sedimentares em determinações de idades radiométricas também tem sido documentadas. Um poço de petróleo no sudoeste de Louisiana (USA) perfurado numa formação com idade geológica convencional entre 5-25 milhões de anos (Mioceno) produziu amostras em folhelho ao nível de 1560 metros com idade por K-Ar de 254 milhões de anos. Quando a amostra de folhelho foi desmanchada e separada em peneiras por tamanho das partículas, uma idade média de 164 milhões de anos por K-Ar foi obtida para partículas com menos de meio micron de diâmetro, idades de 312 milhões de anos para partículas entre 0,5 a 2 microns de diâmetro e 358 milhões de anos para partículas maiores que 10 microns de diâmetro.1 É evidente que uma razão maior de área de superfície para volume nas partículas menores favorece a perda por difusão do argônio 40 que foi herdada da origem deste folhelho. (A perda de argônio resulta em idades menores pela técnica do K-Ar.) As características de idade radiométrica dos sedimentos nos quais este poço foi perfurado refletem as características das áreas de origem drenadas pelos sistemas dos rios Missouri e Ohio e não o tempo da sedimentação.
        Idades radiométricas maiores que o valor esperado são atribuídas a vários fatores: um zeramento incompleto do relógio radiométrico na formação mineral, uma remoção parcial do isótopo pai, ou uma infusão do isótipo filho após a formação do mineral. Por outro lado, idades radiométricas menores do que o valor esperado são atribuídas à remoção parcial do isótopo filho após a formação do mineral, ou infusão do isótopo pai.
        Principalmente ao lidar com materiais sedimentares, e fósseis em particular, é altamente provável que as idades radiométricas representem as características iniciais do material fonte no qual os organismos foram enterrados em vez do tempo de soterramento.
        Agora que determinamos que os fósseis não partilham necessariamente a mesma idade radiométrica que a rocha em volta, enfrentamos o desafio restante de determinar o significado das características radiométricas. Tenha em mente que estas características não apenas representam as características radiométricas iniciais do material analisado mas também qualquer mudança produzida pelo calor, água, etc., durante o processo de realocação. De acordo com Gênesis 1, 7, e 8, nosso planeta experimentou três grandes modificações que podem ter alterado as características de muitas formações minerais na crosta planetária. Estas modificações são o aparecimento dos continentes e bacias oceânicas no terceiro dia da semana de criação, os efeitos do tempo na crosta continental e redução do relevo topográfico até que o planeta foi outra vez coberto com água (no dilúvio de Noé), e o reaparecimento dos continentes e bacias oceânicas após o dilúvio. Cada uma destas modificações, e particularmente o efeito combinado de todas três, introduziram severas complicações na interpretação científica da informação radiométrica para muitas das amostras minerais disponíveis para nosso estudo.

Estratégias para Acomodação dos Dados

        Esta discussão tem se limitado a dados de idade radiométrica para minerais inorgânicos, especialmente aqueles associados com fósseis. Podem ser consideradas três estratégias para acomodar estes dados com os dados cronológicos apresentados na Bíblia.2

  1. Ignorar qualquer dado fornecido pelas técnicas radiométricas.

  2. Pressupor que a Terra, a Lua e as estrelas tem apenas milhares de anos e os dados radiométricos observados hoje são o resultado de processos que não são completamente compreendidos. (Alguns sugerem que a Terra foi criada com idade aparente.)

  3. Pressupor que as atividades de uma semana de criação recente (a milhares, não milhões de anos atrás) envolveram grandes quantidades de matéria inorgânica elementar que foi criada previamente a cerca de 4,56 bilhões de anos atrás.

Ciência e Fé

        Se a ciência indica uma hipótese particular que não é inconsistente com a Bíblia, parece razoável aceitar esta posição. Conquanto esta abordagem minimiza os conflitos entre as interpretações científicas e bíblicas, nem todas questões são respondidas. Áreas onde se requer mais do que uma pequena medida de fé permanecem.
        Devemos compreender que não á um modo de ir diretamente de um dado radiométrico a uma criação especial da matéria viva ocorrida nos últimos 10.000 anos e um dilúvio mundial a cerca de 5.000 anos atrás. Estes conceitos devem ser aceitos com base na fé, da mesma forma que a salvação.
        Por meio de uma mistura adequada deste ponto de vista de fé e de ciência é possível obter uma compreensão mais completa de Deus, nosso Criador e Mantenedor. Ao buscar harmonizar o caráter de Deus como revelado na Bíblia e na natureza, devemos buscar um modelo que seja consistente com as duas fontes de informação. A terceira abordagem mencionada acima começa satisfazer estes requisitos. Onde não encontramos tal consistência, necessitamos buscar uma compreensão melhor das duas fontes de revelação (natureza e Bíblia), pedindo a orientação do Espírito Santo durante a pesquisa.
        A datação radiométrica é uma ciência interpretativa. Os complexos processos físicos e químicos que ocorrem no interior do manto e da crosta terrestre não são completamente conhecidos nem compreendidos. Isto é especialmente verdadeiro quando são considerados os parâmetros de isótopos radioativos. Juntando com estas incertezas o fato de que há numerosos casos onde as idades radiométricas não concordam, parece lógico — quase de forma compelente — considerar seriamente outras fontes de dados para determinar a época da Criação. Para o cristão que é cientista, a Bíblia é uma tal fonte.

ENDNOTES

  1. Perry EA. 1974. Diagenesis and K-Ar dating of shales and clay minerals. Geological Society of America Bulletin 85:827-830.

  2. Estes conceitos foram originalmente propostos por Robert H. Brown, diretor jubilado do Geoscience Research Institute.

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*Reimpresso com permissão do artigo "Genesis and Time: What Radiometric Dating Tells Us," Dialogue 5:1 (1993) com pequenas modificações.


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